21 de fevereiro de 2011

(an)alfabetismo?

Essa semana, folheando uma revista antiga, encontrei uma informação interessante: um indicador do Inaf. Para quem não sabe (como eu não sabia):

O Inaf - Indicador de Alfabetismo Funcional - é um indicador que mede os níveis de alfabetismo funcional da população brasileira adulta. O objetivo do Inaf é oferecer à sociedade informações sobre as habilidades e práticas de leitura, escrita e matemática dos brasileiros entre 15 e 64 anos de idade, de modo a fomentar o debate público, estimular iniciativas da sociedade civil e subsidiar a formulação de políticas nas áreas de educação e cultura". [fonte: http://bit.ly/fL4RcT]

Segundo o indicador, existem 4 níveis de alfabetismo:

Analfabeto
- quem não consegue realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases.


Rudimentar - pessoas com a capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares.

Básico - pessoas que leem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências.

Pleno - pessoas cujas habilidades não impõem restrições: lêem textos mais longos, analisando e relacionando suas partes, comparam e avaliam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses.


De acordo com o site, a última pesquisa a ter seus dados divulgados foi a de 2009. Eu li rapidamente alguns resultados e e gostaria de expor um fato(?) aqui:




Analisando a tabela, percebemos que o Analfabetismo e o alfabetismo rudimentar (índices negativos) diminuíram bastante entre os anos de 2001 e 2009. Além disso, podemos afirmar - indubitavelmente - que o alfabetismo Básico é o que apresentou mais mudança: 13 pontos percentuais de melhora nesse mesmo período. Muito bom!

Pera aí?! Muito bom? Vamos relembrar as habilidades de uma pessoa "basicamente alfabetizada":


As pessoas classificadas neste nível podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas, pois já lêem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, lêem números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma seqüência simples de operações e têm noção de proporcionalidade. Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações.


Quem aí se deu conta de que o Brasil, em 2009, tem a ultrajante parcela de 25% de cidadãos entre 15 e 64 anos plenamente alfabetizada??? 3/4 dos brasileiros (sobre)vivem sem compreender linguagens complexas (sejam elas verbal ou matemática).

Ao ver um simples gráfico como esse com o mínimo de criticidade, podemos compreender um pouco mais da nossa realidade, passamos a ter algumas respostas para as típicas perguntas: "como BBB faz sucesso?", "quem votou no Tiririca?", "quem votou no Collor?", "por que os professores ganham tão mal?"...

Entrem no site e tirem suas próprias conclusões [http://bit.ly/fL4RcT], mas a minha opinião é a de que há "orgulho" (leia-se marketing político) de exibir estatísticas sobre um analfabetismo que tende a zero, e há a cara de pau de omitir (leia marketing político) que os ditos alfabetizados - na verdade - não sabem ler.

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