13 de abril de 2011

sobre aniversários

Hoje é meu aniversário (ou era, até 0h)... fiquei com vontade de escrever sobre isso já que é algo que acontece com todo muno - e todos os anos - obviamente.
As pessoas lidam de maneira diferente com essa data: alguns comemoram como se não houvesse amanhã, uns comemoram como se fosse o início ou o fim de um ciclo, outros não estão ligando muito para mais um dia de vida.
Dentre as muitas condições em que o mundo é injusto com as mulheres, a questão do aniversário é mais uma delas. Os homens ganham muito a cada ano: experiência, charme com os cabelos grisalhos, maturidade. As mulheres ganham - na melhor das hipóteses - um presente legal, já que o tempo sempre age contra elas: a experiência se torna chatice, os cabelos grisalhos velhice e a maturidade já não fazia falta, elas são maduras desde os 15 anos.

Esse não é o caso, embora "o envelhecer" me atucane um pouco. Na verdade, quero falar de como as pessoas lidam com o dia de aniversário e não com a passagem do tempo, mesmo que isso influencie a maneira que reagimos a esse dia.

Hoje era meu dia, mas mesmo assim tive febre. Hoje era meu dia, mas mesmo assim tive de trabalhar - e bastante. Hoje era meu dia e mesmo assim esqueci a carteira e precisei voltar para casa quando queria me dar um presente e estava sem dinheiro no shopping. Hoje era meu dia e mesmo assim me senti culpada depois de comer dois pratos de yakissoba. Hoje, além de ser meu aniversário, foi um dia ruim. Por isso, acabei multiplicando minhas amarguras por mil: no dia do nosso aniversário isso não deveria acontecer, sou uma azaradas mesmo, essa minha vida...

Essa data só serve para a gente ter a ilusão de que temos um dia especial. Mais uma das nossas artimanhas para nos sentirmos diferentes, para termos pelo menos um motivo para comemorar. ILUSÃO, sim. Ninguém vai pagar as suas contas hoje, teu chefe não vai deixar de te demitir por isso (pode ser que desista na data, mas a demissão vem, com certeza), teus problemas não deixarão de existir....

A definição do parágrafo anterior, amargurada, serve para quem tem uma visão racional da vida... O que nos faz felizes são os momentos pequenos de extrema alegria, de procrastinação dos problemas, de egocentrismo, de alienação da vida real. Sem isso, não conseguiríamos viver. O aniversário, nesse caso, seria uma desculpa para nos presentearmos.

Em última análise, eu acredito nisso, precisamos desses momentos felizes para suportar nossa dura existência, mas não acredito que isso precise ter data marcada, ter um dia no ano. Assim como não acredito que o carnaval serve para extravasar e ser inconsequente, nxão acredito que devemos buscar essas pueris e singelas felicidades apenas no nosso dia.

Devemos buscar o que nos faz bem diariamente. Se cada dia fizéssemos um pouquinho do que nos deixa contentes, não precisaríamos "juntar tudo num montinho no final do ano" e poderíamos ter esse dia como um dia qualquer: um dia qualquer em que tentamos ser felizes.

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