17 de maio de 2011

Opinião com embasamento


Seguidamente fico chateada ao ler matérias sobre a minha área (educação e ensino de línguas) escritas por jornalistas que nada sabem sobre o assunto. Essas pessoas têm um lugar legitimado de formadores de opinião, ganham para fazer isso e o fazem da maneira mais "porca" que pode haver:não se dão ao trabalho de pesquisar sobre o que vão escrever.

Esses dias, minha indignação ocorreu ao ler uma coluna da Martha Medeiros
sobre os estrangeirismos: até agora não consegui entender como ela partiu desse tema e foi acabar falando de erros cometidos por falantes do português. Ela pode dar opinião sobre o que ela quiser, mas não pode perpetuar preconceitos. Ainda mais preocupante é um jornal como a Zero Hora permitir que algo desse nível seja veiculado.

Hoje, o que me causou indignação foi ler críticas sobre um livro distribuído para alunos da rede pública de ensino. O tal "infame" livro supostamente ensinava o aluno a falar errado. Isso foi o que li -e ouvi- em muitas reportagens de veículos da Globo, da Bandeirantes, da Uol e por aí a fora. Muito me espantei ao ver que nenhuma das matérias foi feita baseada na leitura e na análise do tal livro, só vi um festival de achismos furados veiculados em tom de seriedade e de preocupação: alarde infundado, sem cabimento e -claramente- com interesses políticos. [
Quem quer se inserir nessa discussão, apropriadamente, pode ler o capítulo do livro Por uma vida melhor e fazer alguma reflexão por si só antes de ler opiniões alheias].

Sinceramente, espero que os veículos de comunicação repensem a contratação desse tipo de cronista, jornalista, pseudo-escritor que, em detrimento dos fatos, prima apenas pela sua -humilde, fraca, vazia- opinião. Jornalista de verdade é aquele que pondera, que pesquisa, que se informa antes de emitir qualquer parecer sobre um assunto tão sério como é a educação e, principalmente, a relação de um país com a sua língua.

Prontofalei.


4 comentários:

Fernanda disse...

Em tempo, segue um contraponto do que vem rolando na mídia http://www.cartacapital.com.br/politica/polemica-ou-ignorancia

Unknown disse...

Acho que a fala que segue totalmente a gramática não existe. Além disso, na minha opinião, não é a fala que deve seguir a gramática e sim o contrário. Os históricos linguísticos provam isso por meio das palavras que sofreram mudanças oriundas a fala. Usamos as normas gramaticais quando o contexto exige um modo de expressão mais formal e padronizado. Essa situação não acontece no cotidiano, num bar, no shopping -ou centros de compra, para o querido Carrion. De certa forma, taxar como "errada" a fala informal é o mesmo que condenar a cultura de um povo, pois a fala e suas variações, como gírias, fazem parte da caracterização de uma sociedade.

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Eu partilho (totalmente) do mesmo sentimento. Eu dei uma olhada em todo aquele capítulo e, em nenhum momento, ele expressa que pretende ensinar o aprendiz a "falar errado". Ao contrário, ele traz a discussão da variação linguística para dentro da sala de aula e expõe a importância da escola ensinar a variedade culta. Fiquei indignado também ao ver a reportagem feita sobre o assunto pelo grupo Bandeirantes no Jornal da Band, onde foram distorcidas algumas informações e termos, deixando a entender que o livro ensina a escrever e falar "errado" e que "erros de português" podem ser ensinados e utilizados, quando o livro fala, na realidade, em uma
"adequação a determinados contextos". Ai, ai...